Artes e Letras na Escola

(Publicado a 8 de abril de 2021)

Na aula de Português, os alunos foram convidados a escrever um texto sobre intolerância religiosa, que é um problema que afeta todo o mundo, atualmente, tendo como mote um texto de José Saramago.

Saramago, no texto abaixo, critica a intolerância religiosa, que tem levado os homens a atitudes violentas, como é o caso das perseguições feitas aos judeus pela Inquisição ou durante a II guerra mundial.

“De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus.” 

José Saramago, “O fator Deus”, in Folha de são Paulo


E o resultado foi este...

Intolerância religiosa


A violência religiosa que o mundo tem vindo a assistir parece piorar de dia para dia.

É uma situação que nunca consegui entender, pois cada um é como é, com direito a escolher no que acredita.

Pessoalmente, não sou apologista dessas formas de perseguições, pois vivemos numa democracia. Essas pessoas que são executadas nunca fizeram mal a ninguém, mas só por professarem uma religião diferente já são as piores pessoas do mundo?! Quem tem sangue-frio para matar pessoas, principalmente crianças, e usa Deus como desculpa, esse, sim, é um monstro e um criminoso que devia estar na cadeia. Parecem aumentar os atos desumanos e irracionais, porém, sou contra, pois sou humana e julgo que o facto de a minha religião ser diversa de outro ser não pode significar que eu sou melhor que ele ou ele é melhor que eu. Também penso nas pessoas que perdem a família por algo tão estúpido: a intolerância e a falta de empatia.

 Quando falamos de religião, o que nos impede de conseguir ter uma boa convivência não são as tradições das muitas religiões que existem, mas sim o preconceito de não aceitar pessoas diferentes, com hábitos e modos de vida completamente diversos. 

Concluindo, espero que o mundo evolua, já que temos tantos avanços na medicina, na tecnologia entre outros, um avanço na mentalidade de todos nós ajudaria a acompanhar a evolução que todos deveriam querer. Devo dizer, ainda, que um dos meus maiores desejos é o fim da violência e da perseguição religiosa, pois há factos mais importantes para nós nos preocuparmos.


Lara, 9.ºB

A intolerância religiosa é um assunto muito importante, mas que, felizmente, não a sentimos tanto, hoje em dia em Portugal. 

Antigamente, por exemplo, com a Inquisição, as pessoas com uma religião diferente da católica eram perseguidas e mortas. Ao ler a Bíblia vemos muito isso em alguns livros do Novo Testamento. 

Na minha opinião, tal não devia acontecer a ninguém, nem atualmente, nem no passado. Eu sou evangélica e não gostaria de ver a minha família com medo de sermos perseguidos, só porque acreditamos em Deus, mas infelizmente isso ainda ocorre. Eu, por exemplo, já li o “Diário de Anne Frank” e o que lhe aconteceu a ela e à família foi horrível. Ninguém devia experienciar o medo de morrer, por motivos religiosos. 

Também me ensinaram, desde muito cedo, que somos todos iguais e somos todos seres humanos, independentemente da nossa cor de pele, etnia ou religião, por isso, também devíamos ser tratados como iguais. 

Em suma, nós somos todos seres humanos e não devíamos ser tratados de modo diferente só por causa das nossas crenças.


Joana, 9.ºB

Há séculos que os homens entre si são menosprezados, gozados, perseguidos e mortos por causa da sua religião.

Desde a criação das religiões que seguidores de religiões diferentes se acham superiores uns aos outros. Estes ideais diferentes sempre causaram conflitos até aos dias de hoje. E tudo em nome do seu Deus, o que não tem fundamento nenhum, pois estas ações não representam os conceitos da sua religião, sendo apenas formas que os religiosos intolerantes acham que estão a representar a sua fé. 

Hoje em dia, ouvimos infelizmente falar de muitos atentados terroristas e estes são especialmente impulsionados pela religião, pois os seguidores pensam que todos aqueles que não cumprem os preceitos da sua religião são infiéis e, quando há retaliação, estes focam-se única e exclusivamente na vingança - o que só causa mortes, destruição e conflitos. Este comportamento intolerante não é, nem nunca foi forma de viver. 

Em suma, eu acho que a intolerância religiosa é uma das mais erradas formas de pensar, pois cada um tem o direito de ser como é, professar a religião que deseja e viver a vida como quiser, sem ser julgado, castigado ou até morto por causa de ser crente de uma religião diferente.

José Azevedo, 9.ºD


Ao longo dos séculos e ainda nos dias de hoje, a intolerância religiosa tem levado o Homem a perseguir, agredir ou até mesmo matar “em nome de Deus”.

Um bom exemplo na História foi o episódio do Holocausto, em que milhares de judeus foram perseguidos, presos, maltratados, torturados e assassinados por não seguirem a religião católica. 

Eu considero estas atitudes irracionais e absurdas, pois ninguém deve ser censurado e maltratado apenas pela sua crença religiosa. Os humanos pensam que ao punirem as outras religiões estão a honrar a sua. Acho que mesmo através da violência e de atitudes menos dignas as mentalidades não vão ser mudadas radicalmente. 

Não entendo como é que na fé e no amor a Deus se encaixa o fanatismo, tendo como fundamento o ódio a outras religiões, do qual resultam tragédias, nomeadamente ataques terroristas. Atualmente, ainda assistimos a regulares acontecimentos destes, principalmente por parte dos muçulmanos do chamado Estado Islâmico.

Em suma, as pessoas têm de ser mais compreensivas e, principalmente, respeitar as vontades alheias. Todos têm direito à liberdade de escolha e de expressão. Não é por uma pessoa ser judaica e outra católica que não poderão conviver uma com a outra amigavelmente.

Inês, 9.ºD

A intolerância religiosa é um tema muito sensível, pois apesar de ser inaceitável, ainda é praticada. Este tema inclui perseguições a várias religiões e tem acontecido ao longo da história, mais antigamente, mas ainda se mantém nos dias de hoje.

Na minha opinião, é um processo absurdo, pois, em primeiro lugar, cada um deve ter o direito de escolher a sua religião e de se manifestar a favor desta. Claro que isto não implica desrespeitar outras religiões e, às vezes, pode até ser esta uma das causas da intolerância religiosa. Seguidamente, existem pessoas que são constantemente torturadas pela sua escolha religiosa e muitas chegam mesmo a morrer, pois não aceitam converterem-se à religião dos perseguidores. Por último, é incrível como há seres humanos que não têm a capacidade de respeitar as escolhas dos outros ao ponto de assassinaram pessoas porque não toleram a sua religião!

Concluindo, deviam ser criadas mais campanhas contra a intolerância religiosa, pois não é admissível que esta persista nos dias de hoje. Os governos têm de tomar partido sobre isto.


Margarida, 9.ºA


Num outro tema, sobre as migrações que se vivem atualmente em vários países, o desafio foi lançado: a partir do parágrafo abaixo transcrito, os alunos deveriam escrever um texto de opinião sobre a melhor maneira de promover a boa convivência entre comunidades, de forma a evitar a marginalização de pessoas com base na sua raça, religião ou país de origem. 


"Portugal sempre foi, desde a sua origem, uma nação com várias raças e até várias religiões. Mais recentemente, passou de um país exclusivamente de emigrantes para um país de acolhimento de pessoas provenientes de outros países à procura de uma vida melhor". 


Vejam aqui o resultado:


Acolhimento dos imigrantes


Nós, raramente, paramos para pensar como Portugal é um país tão rico e diverso em culturas, etnias e religiões.  Podemos até pensar que Portugal é um país de "mente" e braços abertos, mas é aí que erramos, pois quanto mais diversidade cultural o nosso país adquire, mais preconceito e discriminação são também adquiridos. 

Como sabemos tudo o que é diferente, no ponto de vista da sociedade, tem que ser rapidamente alterado ou rejeitado de acordo com os padrões de “normalidade” –  é exatamente assim que pensa e age uma pessoa preconceituosa; consequentemente, surge uma divisão entre as pessoas “normais” e “anormais”. Mas será assim que deve ser? Será aceitável marginalizar pessoas, por não as acharmos suficientemente “normais”? 

Estes comportamentos só serão alterados, se nos colocarmos no lugar do outro, se pensarmos sobre a perspetiva dele, sem julgamentos. 

Em suma, na mudança de ângulo de visão, iremos ter a oportunidade de compreender o comportamento do outro. Só assim poderemos rever mentalidades e comportamentos discriminatórios e preconceituosos. Só assim conseguiremosa boa convivência entre comunidades”.

Liliana, 9                                


A convivência entre comunidades

Portugal começou a acolher pessoas provenientes de outros países para lhes dar uma vida melhor e, na minha opinião, há diversas maneiras de promover uma boa convivência entres as comunidades.

No meu ponto de vista, todos os seres humanos merecem uma segunda oportunidade, e é o Portugal está a fazer, mas há sempre aquele preconceito perante uma pessoa que não tenha a mesma cor ou os mesmos ideais que nós. Os municípios (não nesta altura de pandemia, mas depois, quando tudo acalmar) que acolhem estas pessoas deviam organizar convívios em que todas as pessoas eram convidadas a ir, assim, poder-se-iam conhecer e trocar experiências de vida. No fim, diriam "Ah! afinal…". Certamente, o clima entre as comunidades iria melhorar e a marginalização diminuiria. Sob outro ponto de vista, isto também poderia piorar a situação entres as comunidades, mas vamos pensar que as pessoas têm bom senso e que aceitam as diferenças.

Em suma, devemos respeitar todos, mesmo os que não tenham os mesmos ideias, para termos uma boa convivência e vivermos em paz.

Leonor, 9.ºA

Não entendo o porquê de várias pessoas, atualmente, maltratarem outras por causa das raças, dos países originários ou das suas religiões. 

A meu ver, para haver uma boa convivência com os estrangeiros, emigrantes ou turistas, sejam eles de raça negra ou asiática, acreditem em Alá ou em Cristo, devíamos ser solidários ao máximo, pois as pessoas são iguais a nós, portanto, temos de as tratar e ser tratados bem.  Não é por sermos de outra religião que somos diferentes. Imaginem que tínhamos nascido na Índia, por exemplo, muito provavelmente não seríamos católicos, teríamos seguido o hinduísmo.

As pessoas que estão em guerra ou passam fome ou são perseguidas por qualquer razão desejam encontrar uma vida melhor. É completamente compreensível que queiram emigrar para Portugal, pois muito provavelmente terão melhores condições de vida e poderão viver tranquilamente, logo, nós devemo-las apoiar. Dizer-lhes que não são bem-vindas só irá criar conflitos. Além disso, não nos podemos esquecer de que hoje são eles que precisam de auxílio, mas amanhã poderemos ser nós, portugueses, que necessitamos de ser ajudados.

A conclusão a que eu queria chegar é que somos todos iguais e devemos tratar todos da mesma forma, para promover a boa convivência entre comunidades.

António, 9.ºB


(Publicado a 14 de fevereiro de 2021)

Neste dia dos Namorados, recebemos de presente, do professor Ricardo, um poema que fala de AMOR.


CANÇÃO FLAUTIM

Se gostasses de mim,

ai, se gostasses,

se gostasses de mim

— serenim —

era tudo alecrim.


Se gostasses de mim

— mirandolim —

eu morria. Morria?

de gozo no sem-fim.


E gostaste. Gostavas?

de mim.

Era tão sem aviso,

era tão sem propósito

— trancelim —

e eu saltava, delfim.


E dançava, tchim,

sem notar, ai de mim:

não era tanto assim.

Gonçalim.


Já não gostas de mim.

É fácil percebê-lo.

Vagueio pepolim

a caminho de nada.

Saponim.


Restaria o gerânio,

a senha no jardim?

O lenço ou a colcheia

no róseo bandolim

do ventre da joaninha?


Candorim?

Xerafim?


Mal gostasses de mim,

outra vez carmesim

eu morria, eu vivia

de gozo por três vezes,

mirá, mirandolim.













Pelo gozo passado

em faro de jasmim

— palanquim —

pelo gozo presente

no metal do clarim

— trampolim —

pelo gozo futuro

em verso folhetim

— farolim —

que farei deste sim?


Se gostares de novo

seremos o festim

no parque, na piscina

ou no estrapotim,

em relva entrelaçados

um tintim noutro tim

seremos o marfim

de lavor impecável

na infinda perspectiva

do fim.


Se não

gostares mais de mim

de mim de mim de mim,

sumirei na voragem

no báratro, no pélago

— votorantim —

no vórtice abissal

da tristeza total

do cálculo de rim.


Ah, se gostasses de mim!



Carlos Drummond de Andrade, Farewell


Publicado a 26 de nov 2020
“O coração das coisas”, de António Torrado 


Numa aula de Português, os alunos do 6.ºC foram convidados a vestir a pele do Candeeiro para escrever uma carta à Lua.

A Carta 

Leça da Palmeira, 30 de outubro 2020

Minha querida Lua,

Minha querida, espero que esteja tudo bem aí em cima. Aqui em baixo, nesta triste rua, as coisas não estão nada favoráveis para mim.
Se a minha vida vai acabar, sei que vai ser curta, ao menos tenho de te contar o meu segredo. És o amor da minha vida, és a luz dos meus olhos, és a musa do meu coração e és, principalmente, a minha razão de brilhar.
Eu contava as horas, os minutos e os segundos para que tu reparasses em mim, mas aos teus olhos eu parecia invisível. Eu não sei onde teria a cabeça, quando me apaixonei por ti. Como é que tu, o brilho da noite, poderias reparar em mim, um pirilampo da terra?
Desejo-te o resto de uma vida maravilhosa, mesmo sabendo que não estás ao meu lado.

Beijinhos do Candeeiro 
Carolina Sá, 6º C, N.º 3





Publicado a 5 de nov 2020



Publicado a 29 de outubro 2020

Quem foi Eça de Queirós? 

Sendo Eça de Queirós o autor referenciado no Livro do Mês da Biblioteca, Seis contos de Eça de Queirós, da autoria de Luísa Ducla Soares,  publicamos um trabalho da aluna Filipa Barroso do 9.º B.

Biografia de Eça de Queirós

José Maria Eça de Queirós nasceu dia 25 de novembro de 1845, na Póvoa de Varzim. Infelizmente viveu a sua infância e adolescência longe dos pais e isso influenciou a sua obra. Começou por morar com uma ama, mas logo em seguida foi viver para a beira dos seus avós paternos até aos 10 anos. Frequentou o Colégio da Lapa, no Porto, até ir para a faculdade. Tirou o curso de direito na Universidade de Coimbra.

Iniciou a sua carreira literária com 21 anos, em Leiria, ao escrever folhetins que foram publicados na “Gazeta de Portugal”. Foi diretor de um jornal em Évora, administrador do conselho de Leiria e cônsul em três países: Chile, Inglaterra e França. Em 1886, casou-se com Emília de Castro e teve quatro filhos.

Escreveu milhares de cartas, muitos contos e romances, nomeadamente, “Civilização”, “O Tesouro” e “A aia” (contos); “O Crime do Padre Amaro”, “O Primo Basílio” e “Os Maias” (romances).

Para redigir os seus textos, usava uma secretária alta, pois escrevia em pé, e passava horas a fio dedicado às suas obras.

Morreu com 55 anos, no dia 16 de agosto de 1900, em Paris.

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